HOMEM DO TEATRO

Dramaturgo, diretor, escritor, ator, iluminador, cenógrafo e produtor cultural, João Pereira das Neves Filho nasceu no Rio de Janeiro, em 31 de janeiro de 1934. Desde jovem João das Neves se mostrava interessado pelo teatro. Seu primeiro contato foi no colégio Mallet Soares. Ainda no ensino médio, na década de 50, descobriu-se amante da arte, da cultura popular e se formou como ator profissional e diretor pela Fundação Brasileira de Teatro.

Em 1960 fundou o grupo Os Duendes, assumindo a direção do Teatro Arthur Azevedo, na periferia carioca de Campo Grande. Após serem acusados de fazer propaganda subversiva o grupo se desfez e João das Neves vinculou-se ao Centro Popular de Cultura (CPC), onde se torna responsável  pela sessão  de  Teatro de Rua. Com o golpe militar de 1964 o CPC é colocado na ilegalidade, fazendo com que seus integrantes se articulassem em um novo projeto. É dessa articulação que nasce o Grupo Opinião, o primeiro coletivo de artistas a engajar-se na luta contra a ditadura civil-militar brasileira. No grupo, João das Neves exerce diversas funções, mas destaca-se principalmente na direção de importantes peças, como O Último Carro escrita em 1966 porém, encenada somente em 1976, e Mural Mulher, de 1979. No Acre foi um dos fundadores do grupo Poronga em 1980 e dirigiu a peça Tributo a Chico Mendes em 1988. Ao se mudar para Belo Horizonte, em 1990, inicia seus trabalhos com adaptação da peça Primeiras Estórias.

João contribuiu para a história do teatro brasileiro atuando em movimentos políticos e artísticos abordando temáticas LGBTQI+, negritude, nações indígenas e feminismo, contribuindo para ricos debates sobre questões sociopolíticas e econômicas, constituindo e fortalecendo outros eixos e centros de produção cultural no país.

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